Hoje a tarde veio com um quê de foto antiga metida em caixa de sapato. A umidade tomou conta do ar e tivemos que colocar folhas de jornal no chão da cozinha, que se fazia extremamente escorregadio. Faz algum tempo, minha mãe ganhou uma plantinha de presente; ela não é lá muito dessas coisas mas como foi presente de filho ela resolveu cuidar. Colocou-a em cima da estante da sala, que fica com a janela a oeste. Às vezes ela sai dali de cima pela manhã e vai pegar um pouco de sol na parte de trás da casa, junto com o Saddan, que está ficando velho e pegou a mania de raspar o reboco usando as unhas. Achamos que está tentando entrar no banheiro e de lá empreender caminho cuidadoso até o armário da cozinha, onde estão guardados os pães.
Minha avó vai vir pra cá daqui um pouco e vai trazer malas, fofocas e remédios. A plantinha, coitada, com essa umidade toda, fica parecendo um monte de cravinho, um do lado do outro, mas sem a canela. O que é, sem dúvida, uma tragédia.
O restinho de luz do dia está indo embora e levando consigo a caixa de sapatos, a roupa pendurada atrás da geladeira e o contorno do meu cabelo cortado à moda antiga.
Minha avó vai vir pra cá daqui um pouco e vai trazer malas, fofocas e remédios. A plantinha, coitada, com essa umidade toda, fica parecendo um monte de cravinho, um do lado do outro, mas sem a canela. O que é, sem dúvida, uma tragédia.
O restinho de luz do dia está indo embora e levando consigo a caixa de sapatos, a roupa pendurada atrás da geladeira e o contorno do meu cabelo cortado à moda antiga.
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